Clique p/ ampliar (Foto por Juliana, esposa e apoio do Walter, sobretudo nas viagens)
Esta meia maratona lembrou a Meia do Rio, ocorrida em outubro. Seguem os detalhes da prova:
- percurso quase que totalmente plano, com longas retas e curvas. Muito bom, pois os atletas mantiveram a atenção na corrida e não no piso. A corrida, que seria realizada em sua totalidade na orla, teve seu percurso alterado faltando uns 10 dias para a prova. Fiquei sem entender o porque, mas imaginei que fosse alguma dificuldade em liberar parte do trecho... Na verdade, a razão era outra. A intenção era prestigiar uma obra recém inaugurada pela Prefeitura, o Viaduto Industrial João Lyra, que acabou sendo o único trecho não plano da corrida. Ficou muito esquisito... Os corredores se distanciaram da orla em torno de 1 km até chegar no viaduto, subiram, desceram e - surpresa! o ponto de retorno era no pé do viaduto do lado oposto - ricochetearam para novamente subir e descer o viaduto e retornar para a orla. Ou seja, desviaram o percurso apenas para que subíssemos e descêssemos o viaduto duas vezes. Medonho. Coisa de político que, lamentavelmente, encontra espaço no estado de Alagoas...
- forte calor. O calor na Meia do Rio foi forte. Pudera, a saída foi às 09h00 da manhã. Fiquei muito feliz quando vi que em Maceió a saída seria às 07h15, imaginando que ao menos a largada seria num clima agradável. Não aconteceu... Os corredores procuravam se poupar do sol nas poucas sombras disponíveis na Praça Multieventos e foram para o portal de largada apenas quando faltavam poucos minutos para a mesma. Quando a largada foi dada, o termômetro já marcava incríveis 30 graus. O Sol castigou durante todo o percurso. Em conversas prévias, os amigos relatavam a preocupação quanto ao forte vento contra que encontraríamos no último quarto da corrida. Foi, na verdade, a salvação. Ainda que segurasse um pouco ritmo, o vento garantiu algum refresco. Para quem fez o percurso em torno de 02h00 (muita gente quebrando ao longo do percurso!), a temperatura já estava por volta de 35 graus.
- a hidratação foi elemento a favor. Enquanto foram prometidos postos de hidratação a cada 3 km, contei em torno de nove postos. Dois deles com água quente (quente mesmo, nem natural, nem fresca), mas isto não chegou a comprometer, havia água à vontade. Estranhei apenas que desta vez não foi oferecido isotônico no meio da prova. Naquele calorão, pode ter feito falta a alguns atletas.
- o material do kit, mais uma vez de qualidade e muito bonito. Medalha, camisa, boné (2!), numeração de peito com o nome do atleta, lanche, Gatorade. Lamentei apenas que a organização não foi sensível ao calor previsto para o evento e escolheram uma cor muito escura (azul marinho) para a camisa e para o boné, o que só aumentou o desconforto térmico.
- a quantidade de atletas, bem menor que na do Rio, favoreceu uma largada sem atropelos, bem como passagens tranqüilas pelos postos de hidratação. Aqui vale um comentário: o alagoano está aprendendo marketing com os baianos, risos. Na largada para a prova era visível a pequena quantidade de atletas. Supus algo em torno de uns 600 atletas, no máximo, para correr a meia maratona. A largada para a prova de revezamento seria pouco depois. Soube depois, pela organização, que seriam 900 inscritos para a meia individual e 600 inscritos para a meia de revezamento, números que apesar de condizentes com as numerações de peito que vi, não pareciam guardar relação com os corredores presentes, talvez muitos desistindo em razão do calor. Quando chego de volta ao hotel, vou dar uma folheada no jornal local do dia (acho que a Gazeta de Alagoas) e encontro no caderno de esportes: dois mil atletas inscritos para a corrida e, na capa do dito jornal, oito mil atletas inscritos! mais risos. Por sinal, ouvi dizer que a Corrida dos Sinos, tradicional corrida em Recife/PE, também teve poucos (500) inscritos este ano, Talvez por terem mudado o dia, horário e local da prova. Acontecia sempre na Praia de Boa Viagem, às 16h00 do sábado. Desta vez, no Parque da Jaqueira, às 08h00 da manhã do domingo.
Falando em organização, reproduzo uma breve conversa que tive com um dos organizadores (YESCOM) da prova. Logo que cheguei, sentei próximo a uma das tendas dos organizadores e, talvez por estar usando a camisa da Meia do Rio, um deles veio puxar conversa e me perguntar como tinha sido a prova. Elogiei, mas comentei do excessivo calor. Ele me falou da pretensão de, no ano que vem, transferir a prova para o mês de julho. Achei ótimo, mas lembrei a ele que, em julho, no litoral do Nordeste é só chuva. Lembrei também que no calendário de meias maratonas regional já tínhamos a Meia de Salvador em Setembro, a Meia de João Pessoa em agosto e a Meia do Recife em Julho. O que eu escuto? “Problema de Recife”. Fiquei indignado com o despropósito do comentário, mas não tive energia para explicar a ele que boa parte dos atletas que viriam correr a meia em julho seria pernambucana e que, portanto, mereceria alguma consideração. De qualquer forma, ainda comentei que seria uma boa levar uma corrida como esta para Recife, uma vez que, suponho, tenhamos um contingente de corredores muito maior que Alagoas. Acho que não se sensibilizou, provavelmente por não haver grandes empresas aqui (como a Braskem em Maceió) interessadas em promover eventos desta natureza. Em Recife, as corridas que reúnem mais corredores são promovidas pelo SESI, Prefeitura do Recife Exército ou Corpo de Bombeiros. Nenhuma entidade privada, portanto. Porto Alegre está começando a receber eventos assim... É questão de tempo, a gente chega lá…